Genderless: liberdade Individual

Hoje vamos falar de moda genderless que nada mais é do que a moda sem distinção de gênero, devemos ressaltar que a moda genderless não pode ser tratada como uma tendência ou estilo, mas como uma nova estética na moda. Ou seja, dando a liberdade para que tanto homens, quanto mulheres, possam se vestir como quiserem, trata-se de aceitar a liberdade individual.

Na década de 20 a estilista Coco Chanel, criou roupas femininas baseadas no que os homens usavam, mas hoje essa nova proposta vai muito mais além do que Madame Chanel nos revelou, agora temos um look indefinido que oferece diferentes interpretações e modos de uso.

Hoje marcas do mundo inteiro investem nessa nova vertente da moda então vamos deixar de lado a divisão por gênero e vamos parar de se preocupar com que os outros vão pensar pois o genderless não é apenas mais uma tendência é uma liberdade de expressão.

E para falar um pouco mais sobre o assunto eu tive o prazer de entrevistar um mineirinho talentosíssimo que entende muito do assunto, Marlon Mendez.

 

Marlon é natural do interior de Minas Gerais e residente na capital mineira a 10 anos. Veio em busca de capacitação profissional, embarcando no mundo da moda desde muito cedo, reconhecendo o campo produtivo através da mãe que sempre costurou.

Recentemente formado em Moda pelo Centro Universitário Una, onde na mesma instituição atuou como técnico de Laboratório, durante trajetória do curso, foi convidado a participar do concurso “Drapping”, organizado dentro do MTPW pelo SENAI-Modatec representando a instituição, resultando na 2ª posição. Foi parceiro na exposição “lceu é 100”, restaurando todas as peças que entraram em cena. Participou do concurso “Boulevard Fashion Design” conquistando o 3º lugar. Foi mediador de construções de figurinos para o “Comunidade Viva”, projeto no aglomerado de BH. Criador de figurinos para eventuais espetáculos no CCBB – BH, dentre eles “Águas do Brasil”.

A marca está por trás da construção limitada de peças atemporais duráveis. Seu ponto forte se estrutura com a consciência e utilização de sobras de retalhos e tecidos, viabilizando a criação de recortes, priorizando técnicas manuais, o que enriquece seu design. A descontextualização, a ironia, a busca pelo novo olhar e a imaginação criativa configuram o caminho para a inovação. Sob esse patamar a Marlon Mendez se configura, trazendo à tona o inesperado. Sob essa ótica, a contribuição para a sociedade atual será a de estimular caracteres onde valha a pena correr riscos, ousar, desconstruir certezas e, é claro, compartilhar ideias. É preciso ter coragem de visualizar e atingir uma sociedade diferenciada e diversa, quebrando paradigmas através de uma prática cada vez mais assertiva nas esferas sociais. Toda essa utopia só será possível mediante a uma prática participativa, coletiva e dialógica. É importante estar conectado.

1 – Quando falamos de moda genderless, qual é o maior desafio no processo criativo?

Elaborar e vincular genderless ao publico geral. O momento atual é de velocidade de informações e maior contato social promovido pela acessibilidade digital e sua influência na criatividade e versatilidade. A construção trás um conjunto de conhecimentos para o processo criativo e pesquisa que objetiva colher dados e informações de pesquisas.

2 – No processo criativo de moda, quais as principais referências? É possível criar paradigmas?

“Toda criação é apenas uma releitura – uma nova forma de ver as mesmas coisas e expressá-las de outro modo.” (Yvs Saint Laurent) É importante interpretar as tendências de moda de maneira original e criativa, filtrando as informações impostas pela indústria da moda. A pesquisa deve ser feita em varias fontes, para tornar seu produto atraente e coerente para criar peças com viabilidade comercial e de acordo com a estética atual.

3 – Como você vê a questão da identidade?

Todos nós nascemos com um sexo biológico, como em qualquer classe, de ordens primatas e de gênero humano, a que pertencemos, sei que desencadear o assunto, trás inúmeras vertentes e não é essa minha intenção de trazer no DNA da marca. A mais autenticidade de você, é você mesmo.

4 – No ramo da moda temos várias opções de criação, porque moda sem gênero?

Por que sempre questionei essa ‘estruturação’ de papeis sociais que diferencia e distancia homem e mulher através da indumentária, é chato a conseqüência de viver em um quadrado, que tem seus lados iguais, e o tempo todo preso. Acredito no resultado gradual sem definição e separação de gêneros.

5 – Você concorda que a moda genderless não é apenas uma tendência, mas uma nova estética da moda?

O discurso e a roupa traduzem um caráter individualista, supondo ser o próprio indivíduo quem imprime um sentido a sua inserção social, ainda que eventual ou momentânea. A meu ver, dentro deste contexto, na maior parte das vezes, o individualismo ganha expressão através de uma linguagem bem estruturada, como se não tivesse gênero.

Segue a baixo o link da loja virtual Marlon Mendez

http://marlonmendez.iluria.com/

Raul Nunes

Apaixonado por fotografia e cultura - irmão mais novo da Kim Kardashian - leonino, curioso, louco por moda e apaixonado por café, amante da boa culinária e da música.

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